APOCALIPSE NOW: Carta as sete Igrejas


APOCALISPE NOW.
Carta as  sete igrejas.



Sobre o tema deste estudo, estou emprestando do filme Apocalypse Now, um clássico, um épico de guerra norte-americano de 1979 dirigido por Francis Ford Coppola e escrito por John Milius. Estrelado por Marlon Brando, Robert Duvall. O enredo do filme foi sobre a Guerra do Vietnã.
Empresto o tema do filme na esperança de encontrar uma interpretação e uma aplicação destas cartas para a igreja de hoje e para o tempo que vivemos agora.

Minhas afirmações sobre o livro:

Autor: João o discípulo amado, o mesmo autor do quarto Evangelho. “As evidências internas confirmam o testemunho externo dos primeiros pais, e, entre as opções apresentadas, aque faz mais sentido é a autoria joanina”. (Grant R. Osborne).

Data: Uma data no Reinado do Imperador Domiciano nos anos 90 do primeiro Século.

Gênero: Apocalíptico, sob a inspiração do Santo Espírito.

Estrutura: Consideramos uma análise possível do numa sequência lógica e não cronológica.

Interpretação: Difícil pois o livro é escrito em grego, e as figuras são todas judaicas e vétero-testamentárias.

Uma hermenêutica: As comuns são Preterista, histórica, profética ou futurista. Trabalharemos uma interpretação Idealista (vide Apocalipse – Grant Osborne), procurando nos símbolos contidos no livro as verdades espirituais atemporais. Consideraremos a igreja de todas as épocas na história eclesiástica e muito especialmente a igreja hoje.

O autor aponta e denuncia claramente uma rebelião romana contra Deus e destaca principalmente  o culto aos imperadores vivos como uma abominação para os cristãos. Das 7 igrejas, Éfeso foi um dos primeiros centros asiáticos do culto ao imperador, como encontrado em Atos 19. Nesses cultos são encontrados toda a desvirtuação da adoração ao único Deus vivo e verdadeiro, e a questão dos alimentos sacrificados aos ídolos. Outro problema grave enfrentado por quem não aceitava ou não tomava parte dessa adoração era ser excluído nas relações sócias e até comerciais de sua comunidade.

O apóstolo João, trata deste isolamento social e comercial no seu texto:

16 E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas,
17 Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. (Apocalipse 13:16,17).

Nossa vida cristã e nossa fé sempre afetarão nossas relações sociais e até a vida profissional. Esse foi o grande desafio enfrentado pela igreja do primeiro século.

Atualmente o Brasil acompanhou pelo noticiário, o seu atual presidente demonstrar interesse em transferir a Embaixada do Brasil que está em Tel Aviv para a cidade de Jerusalém. Em recente visita a Israel o presidente do Brasil anunciou não a transferência da Embaixada Brasileira para Jerusalém, e sim a abertura de um escritório para relações internacionais e comerciais. O que teria feito o atual presidente recuar de sua decisão? O ministério das relações exteriores parece deixar claro que as relações comercias mantidas com os outros povos árabes pesaram nessa decisão que tem implicações religiosas e também comercias.

É por isso, que escolhemos um tema que interpreta (de maneira idealista) o Apocalipse hoje, e não somente na história ou no futuro e em suas questões escatológicas. Apocalipse é também um livro para hoje e para agora.

Lendo a carta a cada uma das 7 igrejas encontramos:

1) Hostilidade do mundo contra uma igreja fiel. 
2) O desvirtuamento no foco da adoração. O convite a intolerância com a idolatria.
3) A prontidão dos cristãos.
4) E a vitória de Cristo, da igreja e dos seus servos.

Ainda trazemos em nossa convicção que João está escrevendo... “Um livro para congregações autênticas que o conhecem”. ((1.4;11).



“João, às sete igrejas que estão na Ásia...” (Apocalipse 1:4).

“...Escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia”. (Apocalipse 1.11).

Diante de tão grande perseguição os cristãos são desafiados a FIDELIDADE:

- A maior tentação da igreja: Ceder ao paganismo relativista. (1.9)
- Uma concessão (abrir uma brecha) que evitasse a perseguição.

Ao convoca-los a serem fiéis diante da perseguição, João, informa que podemos pagar um alto PREÇO por nossa FIDELIDADE:

- O primeiro exemplo pode ser encontrado no próprio JOÃO PRESO E EXILADO NA PRISÃO DE PATMOS, por causa do seu testemunho Fiel de Cristo (todo capítulo 1).

- Tantos outros exemplos que se sucederam, como o de POLICARPO O BISPO DE ESMIRNA.

Policarpo de Esmirna, um bispo da igreja de Esmirna do século II. Segundo a tradição dos esmirniotas, conta-se que O "Martírio..." relata que Policarpo, no dia de sua morte, disse:"Por oitenta e seis anos, eu O servi", o que poderia indicar que ele teria então esta idade, ou que ele teria vivido este tempo após ter se convertido. Ele prossegue dizendo "Como então posso ter blasfemado contra meu Rei e Salvador? Prossigais com tua vontade." Policarpo foi então queimado vivo, na estaca por se recusar a acender incenso para o imperador romano. A data da morte é disputada. Eusébio a coloca no reinado de Marco Aurélio (c. 166 - 167), porém, uma adição pós-Eusébio ao "Martírio" coloca a morte num sábado, 23 de fevereiro. Conta-se que de fato a sua morte se deu, quando foi apunhalado quando estava amarrado numa estaca para ser queimado-vivo e as chamas milagrosamente não o tocavam.

Esse é um dos temas centrais de cada recado as 7 igrejas: “ Sê fiel até a morte! ”

Ao ler e interpretar cada alerta dado as 7 igrejas que estão na Ásia, nos deparamos com uma ESTRUTURA COMUM e que destacamos a partir de agora:

1) A DIVINDADE DE JESUS CRISTO NA IDENTIDADE DE CADA IGREJA.

Neste momento João decide por apresentar o que chamamos de doxologia, celebrando o relacionamento de Cristo com seus seguidores. Essa é a primeira doxologia do NT dirigida somente a Cristo. Cremos que isso se deve ao fato de que os cristãos tanto daquela época como dessa, não conferem o devido valor à obra redentora de Cristo.

No primeiro capítulo do livro de Apocalipse, Cristo é anunciado as 7 igrejas da àsia: apocalipse 1. 4-8. e 1.13-18.

4 Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono;
5 E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,
6 E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.
7 Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.
8 Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso. (
Apocalipse 1:4-8)

13...um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.
14 E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo;
15 E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas.
16 E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.
17 E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último;
18 E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno. (Apocalipse 1:13-18).

É preciosa demais a lição que podemos tirar desse retrato de Jesus Cristo Divino, encontrado no capítulo 1 do livro, e que depois será reinserido no início de cada “recado” dado a cada uma das igrejas da Ásia. Para cada elogio, reprovação ou advertência que é dirigida a cada uma das igrejas, é resgatado direto do capítulo, um “imagem” de Jesus Cristo, que após destacada, é apresentada a igreja como um ponto fundamental e sólido na solução e no enfretamento das questões destacadas na carta.

Vejamos:

1- Éfeso: “...Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: (Apocalipse 2:1). Nessa imagem de Cristo (retirada do capítulo 1) e narrada a igreja de Éfeso, está uma palavra de encorajamento: A presença de Cristo no meio de sua igreja, e a firmeza com que Cristo sustenta sua igreja em suas mãos.  (vide capitulo 2.1).

2- A Esmirna – Numa igreja onde cristãos estão morrendo por causa da perseguição, o Cristo é apresentado como aquele que venceu a morte (2.8). Um claro recado de fortalecimento para Igreja. Sinagogas asiáticas estavam expulsando cristãos judeus (vide 2.9 e 3. 7-9). Para ficar bem com o Império, lideres expulsam da sua comunidade aqueles que estão expostos a perseguição, protegendo assim o restante do grupo.

3- Pérgamo - Cristo é a espada de julgamento para uma igreja que está cedendo ao paganismo. (2.12-17).

4 - Tiatira – Cristo, o filho de Deus, pisará com os pés os inimigos da fé cristã (2.18)

5- Sardes (3.1) – Cristo é o único que tem o Espirito Santo e o único que pode doar vida. Sardes é uma espécie de Igreja “The Walking Dead” (Mortos que ainda caminham). Só Cristo poderia trazer de volta a vida da igreja.

6- Filadélfia (3.7) – O Cristo verdadeiro é confiável, Ele cumprirá suas promessas. Quando Judeus Cristãos estão sendo expulsos das sinagogas e mortos, lhe é apresentado o Cristo que tem em suas mãos a chave, e Nele eles podem entrar e sair livremente.

7- Laodicéia (3.14) – Cristo é o amém. O Deus verdadeiro. O Deus em quem nós podemos confiar. Ele é a testemunha Fiel. Ele é a fonte primeira de Toda a criação.

APLICAÇÃO: Para cada igreja local, é suscitada uma IMAGEM DA DINVIDADE CELESTIAL. Cristo é o exato tamanho da fome espiritual, a exata quantidade de cada sede por Deus. Cristo é tudo que a igreja precisa para enfrentar todos os dias bons e difíceis de sua jornada.
Como é comum na retórica dos mestres judaicos o texto seguirá com LOUVOR e CENSURA.

2) A MISSÃO DA IGREJA E SUAS OBRAS DIGNAS DE LOUVOR.

Nesse ponto de cada carta, após o resgate da imagem da divindade de Cristo, cada igreja receberá um elogio, sempre precedido pela expressão: “Conheço a tuas obras”. Como se o Senhor de forma bem contemporânea afirmasse: EU ESTOU DE OLHO!

1)- Éfeso (2. 2-4) – Nosso Deus conhece a maneira de viver de cada um. Deus está louvando uma igreja que sabe que deve se opor aos falsos mestres. Éfeso cumpriu bem essa missão. Quantos hoje se beneficiam de sua posição autoproclamada de apóstolo e a igreja não condena tais atitudes. A igreja de Éfeso sabia a diferença entre um e outro.

2) – Esmirna (2.9).– Sua aflição e pobreza são a sua riqueza. Em tempos de teologia da prosperidade este é um elogio raro e difícil de ser encontrado. Esmirna é pobre contudo é muito rica.

Ao contrário de Laodicéia que é rica mas é pobre. Na galeria da fé estão muitos cristãos como os de Esmirna: “Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno)...” (Hebreus 11:37,38).

3) – Pérgamo (2.13) – Você permanece fiel. Conservas o meu nome. Não negaste a minha fé. Um elogio de sua perseverança.

4) – Tiatira (2.19) – Amor, fé, serviço e perseverança claramente perceptíveis na vida e na missão de Tiatira. Uma igreja com muito a ser elogiado. Uma igreja verdadeiramente multiplicadora: “Você faz mais agora do que quando começou” (2.19).

5) - Sardes (3.1) – O Deus que tudo conhece não valoriza a fama e sim as obras.

6) - Filadélfia (3.8) – A sua fraqueza é a sua força. Guarda as minhas palavras e não nega o meu nome.

7) - Laodicéia – Não te louvarei pelo que você diz  e não faz.(3.17)

Vale observar que somente Esmirna e Filadélfia, as duas mais perseguidas, são plenamente elogiadas.

Para que a mensagem de Cristo alcance a Todos, Deus precisa de UMA TESTEMUNHA FIEL. (2.13; 3.14). Esse é o convite e o desafio feito as igrejas.

Após os elogios o texto seguirá para as disciplinas, ou seja as reprovações que Deus faz para cada igreja.

3) A DISCIPLINA NA IGREJA E A CENSURA PARA ARREPENDIMENTO.

A aplicação das duras disciplinas, se seguirá precedida da expressão: “Tenho, porém, contra ti”. Uma afirmativa firme e segura sobre a santidade de Deus. A disciplina é também destacada nos textos como uma expressão do amor de Deus: “Eu repreendo e disciplino aqueles que eu amo” (3.19. A disciplina exercida em amor. DEUS É AMOR.

1) - Éfeso (2.4)Deixaste o teu primeiro amor. Sã doutrina e perseverança são insuficientes sem amor (2.4). O amor a Deus e ao próximo são os pilares do evangelho. A igreja abandonou o seu primeiro amor. Para amar a Deus, você também precisa odiar o que Deus odeia (Obras dos Nicolaítas) (2.6).

2) - Esmirna -  Só elogios.

3) - Pérgamo (2.14). Na igreja um sem número de pessoas que se apegam a ensinos perigosos (Balaão e Nicolaítas) – O Convite: ARREPENDA-SE. Igrejas sem Ensino Bíblico profundo e sério, geram membros que são presas fáceis para todo tipo de vento.

4) - Tiatira (2.20-21) – Você tolera ensinos de imoralidade sexual. Tolera a idolatria. Disciplina que a igreja atual precisa aceitar. Há sintomas de uma grande omissão da igreja contemporânea nos temas como: Identidade Gênero, homossexualidade, fornicação, adultério entre outros.

5)Sardes (3.1) – Você tem FAMA de estar vivo, contudo está morto. Mostra uma coisa que não é. Parece uma coisa e é outra. Não achei obras perfeitas aos olhos de Deus (ausência de Obras). A fé sem obras é morta. Quanta gente sem conhecimento algum do que diz se auto denomina um reformado e calvinista e afirma assim sua ausência de obras. Uma clara ofensa aos verdadeiros e fiéis cristãos reformados. Outros por sua vez na tentativa de justificar suas obras se afirmam pentecostais e arminianos, numa clara ignorância do que podem estar afirmando sobre a o tema da salvação pela graça.

No texto de Apocalipse, as obras são tema real e muito presente: “E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem.   (Apocalipse 14:13).

6) -  Filadélfia. Só elogios.

7) - Laodicéia (3.16) – Você é morno. Miserável, pobre, cego e nu. Ouça a minha voz e abra a porta.

Vale aqui observar que as duas igrejas mais CONDENADAS são as duas cidades que estão completamente desabitadas na atualidade Sardes e Laodicéia.

Na última parte da carta as 7 Igrejas encontramos promessas muito poderosas.

4) UMA PROMESSA E A CERTEZA DA VITÓRIA.

As promessas que o Senhor dirigiu a sua igreja estão precedidas da expressão: “Ao que vencer”. Uma clara afirmação de que somos mais que vencedores. Todo aquele que perseverar diante do conflito e da adversidade sendo encontrado fiel, será coroado como um grande vencedor e digno de receber e de desfrutar das promessas de Deus.
Daqui em diante, serão apresentadas para cada umas das igrejas, uma solução para as suas dificuldades e uma promessa para aqueles que superarem os problemas.

1) - Éfeso (2.7) - Comer da árvore da vida que está no paraíso de Deus. Ante a grave falha de Adão e Eva no jardim de Deus, chegou o tempo em que os redimidos desfrutarão da árvore da vida na presença de Deus.

2) - Esmirna - Sê Fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida (2.10). Não sofrerá o dano da segunda morte (2.11). 
Para cada cristão que está morrendo ou está inseguro ante a graves ameaças de morte, é reafirmada a vitória do crente diante da morte: “E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou”. (1 Coríntios 15:13).
“E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. (1 Coríntios 15:14).
“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. (1 Coríntios 15:19).

3) - Pérgamo. Darei o maná escondido (2.17). Que igreja e ministério não precisa de alimento no deserto? Em tempos difíceis a igreja é lembrada que pode confiar no Deus da sua provisão.
 Uma pedra branca com um novo nome escrito (2.17). Na judéia o corpo de jurados utilizava pedras brancas para inocentar o réu, e pedras negras para sua condenação. (Craig Kenner – Comentário do Novo Testamento). A certeza de nossa justificação em Cristo.

4) - Tiatira – Darei autoridade sobre as nações. Darei a mesma autoridade que recebi de meu pai. Darei a estrela da manhã. (2.26-28).

5) - Sardes (3.5)– Serão vestidos de branco, terão seus nomes no livro da vida. Reconhecerei diante de meu Pai.

6) - Filadélfia (3.12) – Você será uma coluna no santuário de Deus. Escreverei nele o nome do meu Deus. Escreverei nele o meu novo nome.

7) - Laodicéia (3.21)– Sentará comigo no meu trono.

CONCLUSÃO:

O apelo aos cristãos é para que:

1) Mantenham firme a sua confissão de fé por CRISTO. A palavra de Cristo é Fiel. O nosso Cristo é Eterno, Ele é antes da fundação do mundo. O nosso Cristo é o servo sofredor e também é o Verbo Encarnado. Em apocalipse, Ele é o Cristo glorificado, o Rei dos reis o Senhor dos Senhores. Cada igreja pode confiar, que Cristo sempre será o cabeça da Igreja e tudo fará para cumprir todo o seu proposito na vida da igreja.

2)Cumpram com fidelidade a sua missão. Nossas obras, nossa perseverança, nossa fidelidade, tudo é para que o nome de Deus seja louvado.

3) Aceitem a disciplina de Deus. A repreensão de Deus é a melhor expressão de sua justiça e do seu amor (3.19). Diz o Senhor: “repreendo e disciplino aqueles que eu amo....”.

4) Podemos e devemos perseverar diante da perseguição, do conflito e da adversidade, pois temos em Deus a certeza da vitória. Ao que vencer: Galardão e Coroa são promessas fiéis do Senhor aos que creem no seu nome.

O desafio para cada cristão no sentido de não vivermos para esta era e seus impérios, e sim, vivermos para o nosso Rei que virá e para a nova cidade celestial (Jerusalém).

Que para tanto o Senhor nos abençoe.

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA. Português. A Bíblia Sagrada: antigo e novo testamento. Tradução João Ferreira de Almeida (ACF): Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2011.

BÍBLIA. Apocalipse. Português. A Bíblia Sagrada NVI: antigo e novo testamento. Tradução Comissão de tradução da Sociedade Bíblica Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2015.  P. 1711-1715.

ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. Trad. Robinson Malkomes, Valdemar Kroker, Tiago Abdalla Teixeira Neto. São Paulo: Vida Nova, 2015.

FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.

GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. Vários Tradutores. São Paulo: Vida Nova, 1999.

HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Trad. Valter Martins. São Paulo: Hagnos, 2001.

LADD, George Eldon. Apocalipse: Introdução e Comentário.  1ª Edição. São Paulo: Vida Nova, 1996.

LOPES, Hernandes Dias. APOCALIPSE: O Futuro Chegou. As coisas que em breve devem acontecer. São Paulo: Editora Hagnos, 2005.

OSBORNE, Grant R. Apocalipse: Comentário Exegético. Trad. Robinson Malkomes, Tiago Abdala T. Neto. São Paulo: Vida Nova, 2014.


A QUESTÃO DE GÊNERO NA RAÇA HUMANA

A QUESTÃO DE GÊNERO NA RAÇA HUMANA.



“Deus disse: Façamos os seres humanos à nossa imagem, de forma que reflitam a nossa natureza... E Deus criou os seres humanos; criou-os à semelhança de Deus, refletindo a natureza de Deus. Ele os criou macho e fêmea”. (Gênesis 1. 26-28 – Bíblia a Mensagem).

A QUESTÃO EM SI.

As coisas, assim como pessoas, animais, objetos, comidas, têm nome. Esses nomes são chamados de substantivos e aparecem em gêneros diferentes, o masculino e o feminino.

Para compreender melhor o debate sobre a questão de gênero, é importante primeiro traçar a diferença entre o que vem a significar este conceito e contrapô-lo a idéia de sexo.

Sexo está relacionado com os aspectos bio-fisiológicos que dizem questão as diferenças corporais (físicas) do macho e da fêmea.

O sexo pode ser entendido como uma marca biológica, a caracterização genital e natural, constituída e presente na espécie humana e no mundo animal. Nesse sentido, o sexo genético, ou seja, designado por cromossomos (XY) para homem e (XX) para a mulher, detendo hormônios e a genitália (pênis para homens e vagina para mulheres) inerentes a cada sexo.

Outro aspecto importante, que pode nos ajudar a entender a diferença entre sexo e gênero, é que os animais também são machos ou fêmeas, mas não são homens nem mulheres, eles não têm gênero. Sexo = Macho ou Fêmea. Na questão de gênero = Homens e Mulheres.

Para ampliar a questão de gênero e estabelecer um debate sobre o tema, surgiu a IDEOLOGIA DE GÊNERO.

A IDEOLOGIA DE GÊNERO – Afirma que ninguém nasce homem ou mulher, mas que cada indivíduo deve construir sua própria identidade, isto é, seu gênero, ao longo da vida. “Homem” e “Mulher”, portanto, seriam apenas papéis sociais flexíveis, que cada um representaria como e quando quisesse, independentemente do que a biologia determine como tendências masculinas e femininas.

POR QUE SE DENOMINA DE IDEOLOGIA?

IDEOLOGIA, em um sentido amplo, significa aquilo que seria ou é ideal. As ideologias são ideias humanas, que surgem das percepções sensoriais do mundo externo. Um conjunto organizado de Ideias. São a expressão das ideias e dos interesses de um grupo.

A ideologia de gênero subsiste da ideia de que a sexualidade humana seja parte de “construções sociais e culturais” e não um fator biológico. De acordo com esta ideologia, os seres humanos nasceriam “neutros”, apenas (X) e não (XX e XY) e poderiam, ao longo da vida, escolher o seu gênero sexual.

ONDE ISSO COMEÇOU?

No início do século XIX, o antropólogo, etnólogo e escritor norte-americano Lewis Henry Morgan, dedicou seus estudos para demonstrar que o Estado, o gênero, a crise da identidade sexual e a religião tinham causado grandes problemas na configuração da família.

Um outro passo, no estabelecimento dessa ideologia, foi dado, em 1968, quando Robert Stoller defendeu a necessidade de fortalecer o conceito e a definição do termo gênero, em detrimento da definição do termo sexo.

Em 1975, Elisabeth Clarke e Simone de Beauvoir despontam como as maiores promotoras do feminismo ocidental. Na época, a ideologia de gênero e o aparecimento de um novo sexo atraíam a atenção, a esse movimento se deu o nome de “feminismo ideológico”.

Estudiosos afirmam que a expansão da ideologia de gênero teve início na Conferência sobre as mulheres, realizada em Pequim, em 1995. A jornalista norte-americana e participante da conferência Dale O’Leary diz em seu livro The Gender (A Agenda), (ou algo como a discussão do gênero), de 1997, que o evento resultou em orientações para que governos de todo o mundo incorporassem a “perspectiva de gênero” em todo programa e em toda a política, em cada instituição pública e privada. No Brasil essa “agenda” foi claramente identificada no: Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3)

Outra referência acadêmica a cunhar o termo “gênero” foi a feminista Judith Butler, através do seu livro “Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity”, lançado em Português no Brasil com o título: Problemas de Gênero - Feminismo e Subversão da Identidade. No livro ela afirma que “o gênero é uma construção cultural; por isso não é nem resultado causal do sexo, nem tão aparentemente fixo como o sexo”. Na mesma obra, Butler ainda defende que “homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino tanto um corpo masculino como um feminino”.

Butler afirma que tornar-se homem ou mulher não é algo que se consegue realizar de uma vez por todas, no início das nossas vidas. O Gênero é sempre reafirmado publicamente pelo desempenho de ações e normas culturais (socialmente construídas e variáveis) que definem masculinidade e feminilidade. 

Nesse momento da AGENDA DE GÊNERO, seus defensores pretendem criar um sistema educativo e pedagógico dentro do qual um dos passos seja permitir que uma pessoa que não se sinta reconhecida na sua natureza, sob essa perspectiva, ela mesma, com o passar do tempo, poderia descobrir qual é o seu estado natural e, assim, “decidir” se é homem ou mulher. Essa suposta decisão vem acompanhada de um aniquilamento da pessoa, substituindo-a por alguém sem identidade.
Junto com o aniquilamento da pessoa, e o surgimento de um “ser” sem identidade, está se propondo o fim da heteronormatividade: A perspectiva que considera a heterossexualidade e os relacionamentos entre pessoas de sexo diferente como fundamentais e naturais dentro da sociedade.

O termo HETERO significa, outro, diferente.   A palavra heterossexual diz respeito à atração que uma pessoa sente por outra de sexo diferente do seu.

É através da NORMATIVIDADE – que se observam as normas. Assim, pode-se compreender o termo heteronormatividade como aquilo que é tomado como parâmetro de normalidade em relação à sexualidade, para designar como norma e como normal a atração e/ou o comportamento sexual entre indivíduos de sexos diferentes.

NA PÓS-MODERNIDADE – Numa sociedade secularizada, o modelo que se propõe é a AUTONOMIA. Nossa sociedade parece desejar viver na anomia (ausência de normas) e de forma autônoma (Auto=pessoal / Nomia=lei, o resultado da equação é uma lei própria).

Quando avançamos na compreensão da ideologia de gênero, somos obrigados a considerar a questão dos TRANSGÊNEROS.

A definição do que é ser “homem” ou “mulher” surgiu partir de uma divisão biológica, com o passar dos anos, a experiência humana nos tem mostrado, que muitos indivíduos têm procurado se expressar através de outras identidades que refletem diferentes representações de gênero (como os transexuais e transgênero) e que não se encaixam nas categorias padrões até então reconhecidas. Quem são esses indivíduos?

Transgênero – é o indivíduo que se identifica transitória ou persistentemente com um gênero diferente do gênero de nascimento.
Transexual – Indivíduo que já experimentou uma transição social do sexo masculino para o feminino, ou do sexo feminino para o masculino. (Normalmente pelo tratamento hormonal ou até através de cirurgia).

Uma pessoa transgênero é de fato um desafio a nossa compreensão. Ser transgênero é diferente de ser um homossexual. O seu sentido interno do seu sexo não é o mesmo que sua orientação sexual. Na homossexualidade, o indivíduo se identifica com o seu sexo de origem, e se sente atraída por pessoas do mesmo sexo. O homossexual não tem dúvidas sobre o seu sexo. O transgênero tem problemas com o seu sexo de origem. Ele não se identifica com ele. Chamamos essa ocorrência de disforia de gênero.

O QUE É DISFORIA DE GÊNERO?

“Disforia” é um “estado” um sentimento de insatisfação, ansiedade e inquietação. As pessoas que têm disforia de gênero sentem fortemente que não são do gênero que fisicamente demonstram ser.

Quem apresenta a disforia de gênero geralmente abraça um de dois caminhos:
- Decide viver bem com seu sexo biológico e desempenham bem seu “novo” papel de gênero (sua nova opção sexual).
- Busca transformar o seu corpo através de medicamentos ou de cirurgias.

O resultado mais comum da disforia de gênero é:
- Homens se tornam “feminilizados”.
- Mulheres se tornam “masculinizadas”.

Disforia de gênero tem sido considerada um distúrbio. (Cromossomos não podem ser reprojetados, nem mesmo removidos).  Indivíduos que sofrem desta disforia vivem um grande drama. Sentir que seu corpo não reflete seu verdadeiro sexo pode causar grave angústia, ansiedade e depressão.

QUAIS SÃO OS IMPACTOS SOCIAIS DESTA REALIDADE?
Nossa conclusão sobre a identidade de gênero, é que a mesma se refere à identidade com a qual uma pessoa se identifica ou se autodetermina; independe do sexo; e está mais relacionado ao papel que o indivíduo tem na sociedade e como ele se reconhece. Assim, essa identidade seria um fenômeno social, e não biológico.
Nesse conflito social e biológico, estão se firmando dois mundos e dois tipos de pessoa:

A PESSOA CISGÊNERA, aquela que tem sua identidade ou vivência de gênero compatível com o gênero ao qual foi atribuído ao nascer.
A PESSOA TRANSGÊNERA, aquela que se identifica com um gênero diferente do registrado ou identificado no seu nascimento.

Os indivíduos que se denominam “trans” não se encaixam no que foi socialmente estipulado e naturalizado como próprio ao seu sexo biológico. Normalmente elas burlam essa coerência e nos fazem enfrentar uma série de implicações que afetam o nosso cotidiano.

Na ideologia de gênero, o esforço maior que se faz é no sentido de combater os “estereótipos”. Etimologicamente, o termo estereótipo é formado por duas palavras gregas, “stereos”, que quer dizer rígido, e “typos”, que significa traço. Este termo é historicamente originado de uma placa metálica de características fixas destinada à impressão em série. Os estereótipos podem ser caracterizados por:
- Artefatos humanos socialmente construídos, transmitidos de geração em geração, não apenas através de contatos diretos entre os diversos agentes sociais, mas também criados e reforçados pelos meios de comunicação, que são capazes de alterar as impressões sobre os grupos em vários sentidos.

A grande questão a considerar na compreensão da ideologia de gênero é concluir se a disforia de gênero é de fato um transtorno mental causado por uma série de fatores que precisam ser claramente identificados, ou se é, como defendem os seus criadores, uma variação absolutamente natural do comportamento humano.

Uma das maneiras de enfrentarmos a questão é pesquisarmos as causas das diferentes orientações sexuais. A ciência tem muito a contribuir ainda no enfrentamento desta questão.

Muitos buscam uma resposta para esse tema com base apenas na sua religião. Na noção religiosa histórica e milenar tais comportamentos são diabólicos e patológicos.

Para uma geração criacionista: “Deus disse: Façamos os seres humanos à nossa imagem, de forma que reflitam a nossa natureza... E Deus criou os seres humanos; criou-os à semelhança de Deus, refletindo a natureza de Deus. Ele os criou macho e fêmea”. (Gênesis 1. 26-28 – Bíblia a Mensagem).

Acredito que as coisas não estão muito claras quando tratamos deste assunto, tanto na igreja ou mesmo dentro das nossas famílias. O que fazer? Como tratar a questão? “Penso que minha filosofia seja esta: tudo está errado até que Deus endireite as coisas” (A. W. Tozer).
Deus quer capacitar sua igreja para enfrentar essas questões com boa base bíblica e com uma ética cristã. Precisamos estar abertos para este momento.

Para enfrentar esses desafios que estão diante de nós, devemos ser ousados e corajosos. Devemos ser pacientes e simpáticos. Devemos ser amáveis e humildes. Persuasivos e persistentes. Francos e solenes. Claros, assertivos e corretivos.

Encorajemos a igreja e nossos líderes para que creiam na Palavra de Deus. Todo conselho de Deus é a verdade.
Falemos aberta e francamente sobre o pecado, e sobre os pecados que destroem a nossa vida em família e comunidade.
Protejamos o povo de Deus, confrontando o mundo quando nos tenta empurrar o seu modelo.
Reconheçamos a Cristo como a verdade e único caminho para Deus e para a vida eterna.
Anunciemos a Jesus e as suas boas novas que nos livram da maldição e do pecado.
Estendamos o perdão a todos aqueles que através do arrependimento decidam viver em santidade. Peçamos perdão quando de forma imprudente tratarmos alguém inadequada e inconveniente.
Façamos grande esforço para receber aqueles que desejam viver em comunidade, abandonando o seu pecado e lutando contra ele.
Procuremos amar a todos em nosso meio, apesar de suas fraquezas, pois todos devem ser alvo da graça de Deus. Exercitemos e apliquemos as disciplinas bíblicas para que todos sejam conduzidos a viver em santidade e amor cristão.

Aceitemos as verdades bíblicas como a verdade de Deus capaz de transformar as nossas vidas: Gênesis 19-1-9; Juízes 19. 22-25. Levítico 18.22. Levítico 20.13; Romanos 1. 26-27; 1 Coríntios 6. 9-11 e 1 Timóteo 1. 9-10.

Pr. Carlos Elias de Souza Santos



Referências:
1. AZEVEDO, Israel Belo de. As questões homossexuais e de gênero. Rio de Janeiro: Ed. Prazer da Palavra, 2017.
2. BURKE, John. Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja. Trad. Onofre Muniz. 4ª Reimpressão. São Paulo: Editora Vida, 2012.
3. BUTLER,Judith. Problemas de Gênero - Feminismo e Subversão da Identidade – Trad. Renato Aguiar. Col. Sujeito & História - 8ª Ed. Rio de janeiro: Civilização Brasileira,2015.
4. DEYOUNG, Kevin. O que a Bíblia ensina sobre a homossexualidade? Trad. Francisco Wellington Ferreira. S.J. dos Campos: Fiel, 2015.
5. HEILBORN, Maria Luiza; DUARTE, Luiz Fernando Dias; PEIXOTO, Clarice. BARROS, Myriam Lins de (Orgs.) Sexualidade, família e ethos religioso. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.
6. MACHADO, Maria das Dores Campos; PICCOLLO, Fernanda Delvalhas (Orgs.). Religiões e homossexualidade. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2010.
7. OSTERMANN, Ana Cristina; FONTANA, Beatriz (Orgs.). Linguagem. Gênero. Sexualidade: Clássicos traduzidos. Robin Lakoff...[et. al.], Tradução Ana Cristina Ostermann, Beatriz Fontana. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.
8. PETERSON. Eugene H. Bíblia de Estudo A Mensagem: Bíblia com Linguagem Contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2014.
9. VEITH, Gene Edward Jr. TEMPOS pós-modernos: uma avaliação cristã do pensamento e da cultura da nossa época. 1ª Ed. Trad. Hope Gordon Silva. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.