OLHO POR OLHO E DENTE POR DENTE


OLHO POR OLHO E DENTE POR DENTE.


A propósito da lista do Ministro Fachin e do foro privilegiado.

Existe uma impressão popular que interpreta a conduta ética de Deus no Antigo Testamento como sendo diferente daquela manifesta no Novo Testamento.

“...Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe”. (Êxodo 21.23-25).

Teria Jesus revogado essa lei?

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”. (Mateus 5.38-41).

Alguns defendem que Jesus está aqui propondo uma mudança na ética divina.

Seria isso possível, uma vez que é impossível que Deus mude o seu posicionamento ético, uma vez que ele é fruto da sua moral?

Sendo a revelação progressiva, a mesma não pode se contradizer, pois parte do único Deus verdadeiro.

A Lei de Talião consiste na justa reciprocidade do crime e da pena. O princípio por trás da lei é o de trazer equilíbrio entre crime e penalidade. O mal causado a alguém deve ser proporcional ao castigo imposto.

Não temos dúvida que a Lei de Talião tem por princípio a lei divina. A Lei de Talião foi dada para regular as relações sociais desequilibradas. É sabido que se não houvesse lei reguladora, esses processos acabariam em ciclos criminosos de vingança e opressão, com respostas desproporcionais e injustas.

Ao contrário do que muitos pensam, a Lei de Talião vem colocar limites a uma desenfreada escalada de vingança desproporcional, pois não ensina nem mesmo estimula a vingança. Na verdade, ela traz um princípio regulador dentro da sociedade.

É a Lei de Talião um preceito de caráter moral com aplicação civil, procurando disciplinar as relações sociais diante da pecaminosidade humana. Esse princípio universal pode ser encontrado nos códigos penais das nações modernas.

Em resumo: a punição por um determinado crime ou delito não pode ser desproporcional ao ato cometido. Pela Lei de Talião não se pode tomar uma vida por um dente, nem tão pouco a mão por um olho. Aplique-se o princípio da proporcionalidade. Essa é a lei moral. Essa é uma retribuição necessária tanto para o indivíduo que comete o crime quanto para o seu grupo social, visando reduzir o crime, reeducar o criminoso e inibir os delitos cometidos.

Em todas as leis precisamos encontrar um conceito moral, a PROPORCIONALIDADE entre o crime e a pena, a retribuição direta ao ofendido pelo crime, assim como o direito de defesa do acusado, considerando-se todos os agravantes e atenuantes.

É somente assim que comunica aos perpetradores do mal que “o crime não compensa”.



Resumido por Carlos Elias S Santos. (MEISTER, Mauro. Lei e Graça. São Paulo: Cultura Cristã, 2016. Pp. 116-127.


















UM RAIO DE LUZ. Uma fonte de Esperança.

UM RAIO DE LUZ

Uma fonte de Esperança



“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz". (Mateus 4.16).

O início do ministério terreno de Jesus foi na Galileia; local onde pregou o arrependimento porque o Reino de Deus está próximo. (Reino=Basiléia em grego, da idéia de domínio de Deus).

A Galileia era uma região desprezada pelos outros judeus que viviam mais ao sul porque contava com uma população mista, em sua maioria gentílica, com poucos judeus, por isso o termo Galiléia dos gentios.

O termo "dos gentios" em grego é "Ethnos"; dá idéia de povos não judeus, pagãos, desconhecedores de Deus.

Com sua presença na Galiléia, e com sua mensagem libertadora, Jesus cumpriu a profecia de Isaías 9, onde diz:

“Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz”. (Isaías 9.1-2).

No original em hebraico, língua em que foi escrito o Antigo Testamento, a palavra "escuridão" é "muaph", dá idéia de penumbra, tristeza, melancolia negra.

Essa penumbra é o descaso ou ignorância sobre Deus; e foi exatamente neste lugar que brilhou a Luz de Cristo.

O Diabo, o príncipe das trevas, trabalha duro para deixar o evangelho encoberto aos olhos e aos ouvidos de muitos. Na perspectiva paulina:

“...O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. (2 Coríntios 4.4).

Ao observar a história da Galiléia, vemos que aquele território pertenceu às tribos de Issacar, Zebulom, Aser e Naftali nos dias do Antigo Testamento.
O nome Galiléia vem da raiz “Galil” que na língua dos judeus significa pequeno círculo.

Em Gênesis 49.13-21, vemos Jacó abençoar seus filhos com palavras futuras, e com relação especificamente a estas 4 tribos, diz-se que elas seriam prósperas, habitariam em portos de navios:

13 Zebulom habitará no porto dos mares, e será como porto dos navios, e o seu termo será para Sidom.
14 Issacar é jumento de fortes ossos, deitado entre dois fardos.
(Gênesis 49.13,14).

De Aser e Naftali se diz:

20 De Aser, o seu pão será gordo, e ele dará delícias reais.
21 Naftali é uma gazela solta; ele dá palavras formosas.
(Gênesis 49.20,21).

Mas, o próprio Jacó também disse que se renderiam à trabalhos forçados. Na benção de Jacó, Issacar, que era um jumento forte, se curvaria:

“E viu ele que o descanso era bom, e que a terra era deliciosa e abaixou seu ombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo”.
(Gênesis 49.15)

Essa  palavra sobre o encurvamento do povo de Deus se cumpriu mais tarde nos 2 seguintes trechos:

1-   Quando Salomão tentou presentear com 20 cidades da Galiléia a Hirão rei de Tiro (1 Reis 9.11-13).

11 (Para o que Hirão, rei de Tiro, trouxera a Salomão madeira de cedro e de cipreste, e ouro, segundo todo o seu desejo); então deu o rei Salomão a Hirão vinte cidades na terra da Galiléia.
12 E saiu Hirão de Tiro a ver as cidades que Salomão lhe dera, porém não foram boas aos seus olhos.
13 Por isso disse: Que cidades são estas que me deste, irmão meu? E chamaram-nas: Terra de Cabul, até hoje.
(1 Reis 9.11-13)

Porém o Rei de Tiro desprezou-as e mais tarde devolveu-as para Salomão. (2 Crônicas 8.2 ).

“Que Salomão edificou as cidades que Hirão lhe tinha dado; e fez habitar nelas os filhos de Israel”.  (2 Crônicas 8.2)

Não sei se você consegue perceber o tamanho da tristeza e da dor desse povo:

- Foi rejeitado pelo seu próprio Rei (Salomão) e entregue para ser súdito de um outro Rei.
- Foi Rejeitado e desprezado pelo seu novo Rei.

Esse povo estava literalmente sentado sobre as trevas e no vale da sombra e da morte.

Foi para este povo rejeitado e humilhado que Jesus levou sua luz e a mensagem do Evangelho. É assim que resplandeceu a luz.


2- Em (2 Reis 15.29); vemos que algumas regiões junto com a Galiléia foram as primeiras a sofrerem o ataque da Assíria sob o reinado de Tiglate-Pileser (732 a.C.). E depois os povos destas regiões foram deportados para a Assíria.

“Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a... Gileade, e a Galiléia, e a toda a terra de Naftali, e os levou à Assíria”. (2 Reis 15.29)

Isso nos deixa claro, e nos faz entender como aquela região tinha caído em seu pecado e futuramente na escuridão do afastamento de Deus.
Nesse momento da história, a Galiléia está: “...servindo debaixo de tributos”. (Gênesis 49.15)
Esse é o pano de fundo histórico para entender a profecia de Isaías:

“Contudo, não haverá mais escuridão para os que estavam aflitos. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e de Naftali, mas no futuro honrará a Galiléia dos gentios, o caminho do mar, junto ao Jordão. O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz”. (Isaías 9.1-2)

A PROMESSA:

- NÃO MAIS ESCURIDÃO
- NÃO MAIS HUMILHAÇÃO
- NO FUTURO HONRARÁ A GALILÉIA DOS GENTIOS.

No momento de DENSAS TREVAS NA VIDA DO POVO, de grande adversidade no seu ministério, o Senhor Jesus resgata essa profecia de Isaías, como quem acende um facho de luz numa noite escura, e anuncia ao povo da Galiléia, a razão pela qual ele estava ali: Ser a luz em meio a escuridão.

É sábio o Evangelista Mateus, quando registra na Escritura sagrada:

“E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; PARA QUE SE CUMPRISSE o que foi dito pelo profeta Isaías”.  (Mateus 4:13,14).


No cumprimento desta profecia aprendemos que:

- Jesus é a Luz do Mundo:

 1)    LUZ QUE BRILHA DIANTE DA ADVERSIDADE.
“Quando Jesus ouviu que João tinha sido preso, voltou para a Galiléia”.  (Mateus 4.12).

Era difícil aceitar a prisão de João Batista. Ele é muito querido para Jesus. Era João também um pregador, um anunciador do Reino de Deus. Em Mateus no capítulo 14 se faz registrar a morte de João Batista, pelas mãos do Rei Herodes.

Ainda, neste mesmo contexto o Senhor Jesus estava sendo tentado:  “Então o diabo o deixou”.  (Mateus 4.11).
Após resistir bravamente e vencer a tentação, o Senhor Jesus é mergulhado numa grande provação.
- Jesus ouviu que João tinha sido preso. (Mateus 4.12)
Aquele que foi colocado diante do Senhor Jesus para preparar o caminho no deserto, estava preso.


APLICAÇÃO:
- Em tempos de grande adversidade apoie sua fé, nas promessas do Senhor. Elas são verdadeiras. Elas são firmes, elas se cumprem a cada dia.
- Como Jesus declara e ao mesmo tempo invoca aquela profecia sobre a vida de seu povo, nós também podemos crer, que suas promessas estão ainda hoje sobre as nossas vidas.
- O povo que andava em trevas VIU UMA LUZ. Abra você também seus olhos espirituais e veja a luz:
- Do sol da justiça (Malaquias 4.2)
-  Da luz do mundo. (João 9:5).
-  Da resplandecente estrela da manhã. (Apocalipse 22.16)

Disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João 8.12).
Jesus é a Luz que brilha em meio a Adversidade:
“A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram”. (João 1.5)

Jesus é a Luz do Mundo:

2) LUZ QUE BRILHA MEDIANTE AO ARREPENDIMENTO.

“Daí em diante Jesus começou a pregar: "Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo". (Mateus 4.17).

A palavra arrependimento é de origem grega (μετάνοια , metanoia ) e significa conversão (tanto espiritual, bem como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos, caráter, trabalho, geralmente conotando uma evolução.

A luz somente iria brilhar se: “o povo que vivia nas trevas”, praticasse o arrependimento.

Seria necessário, ao povo que escutava as palavras de Jesus, que ele, o povo, reconhecesse que estava em trevas e se abrisse para VER A LUZ.
A luz foi posta: “sobre os que viviam na terra da sombra da morte”.

A terra da sombra e da morte não é algo figurativo, ela é muito real e presente:

Davi fala sobre à existência desta terra de sombras e morte.

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”. (Salmos 23:4).

As sombras vieram sobre sua vida quando da cobertura do seu palácio viu uma mulher e a desejou. (2 Samuel 11.4)

Trilhando pelo caminho das sombras, ele adulterou com ela.

Esse é um terrível vale das sombras.

Após pecar com a mulher de Urias, Davi decide mata-lo. (2 Samuel 11.15)
Davi seguiu direto do vale das sombras para o vale da morte.

O QUE PODERIA MUDAR A SITUAÇÃO DE DAVI? Um Rei que vivia nas trevas.

Essa é a grande mensagem do Senhor Jesus:

O arrependimento é para todos aqueles que estão vivendo:
“Na terra da sombra da morte”.

Louvado seja Deus que Davi se arrependeu do seu pecado e se permitiu ver a luz, reencontrou o resplendor da luz.

1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
2 Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado.
3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.
(Salmos 51.1-4)

Para concluir, voltemos ao contexto histórico do cumprimento desta profecia na Galiléia.

A história diz que em períodos mais modernos, a Galiléia foi pertencente provavelmente à Fenícia e com isso o culto naquela região se tornou mais pagão e místico ainda; depois foi conquistada pelos Macabeus.

Mais tarde na época de Jesus, a Galiléia foi governada por Herodes e depois por Agripa também.

É nesta época que Jesus se manifesta naquele local de escuridão, de total ausência da luz de Deus, por causa do pecado daquele povo misto, e que provavelmente tinha uma falsa luz, que se firmava na prosperidade de seus portos.

A Galiléia deste tempo, mas se parece com o Brasil da atualidade, que mergulhado nas trevas da corrupção, acreditou na falsa luz que se sustentava nas plataformas de petróleo espalhadas pelo Brasil.

É justamente nesta Galiléia, que a Misericórdia de Deus brilhou em Cristo, depois a notícia desta Luz chegou aos gentios, e hoje aqui estamos nós pecadores alcançados pela luz de Cristo no Brasil.

Esta luz de Cristo derrotou o Diabo, a morte, nossos pecados, a melancolia, a depressão e a ilusão dos prazeres transitórios dos portos dos prazeres desta vida.

Por isso, como o salmista rendemos graças:

"Dêem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre" (Salmos 107.1-43).

Em Isaías 60.3 vemos a luz de Cristo que nos deixa radiantes de alegria, pois o pecado de todos os povos é escuridão.

“E os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu’. (Isaías 60.3).

Esse é o resplandecer da luz de Deus. Esse é sentido para o nascimento e para a vida de Jesus.

- NÃO MAIS ESCURIDÃO
- NÃO MAIS HUMILHAÇÃO
- NO FUTURO HONRARÁ A GALILÉIA DOS GENTIOS.

ESTÁ SE CUMPRINDO.

Agradeçamos ao nosso Deus, pois fomos chamados por Cristo para viver na luz e em santidade.

12 “...dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz.
13 Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado,
14 em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados”.
(Colossenses 1.12-14)

Agradeçamos a Deus, pois fomos chamados para viver na eternidade da luz de Deus:

3 Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão.
4 Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas.
5 Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre.  (Apocalipse 22.3-5)





UM CHAMADO À PERSEVERANÇA DOS SANTOS

UM CHAMADO À PERSEVERANÇA DOS SANTOS



Não são poucos os que acreditam que a perseverança na fé e no amor não é necessária à salvação final.  Esse é um erro muito comum, porém letal. O Senhor Jesus Cristo disse: ”Todos odiarão vocês por minha causa; mas aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mc. 13.13). Paulo ao escrever ao Gálatas disse: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, ...por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 2:13,14). Somos chamados para a Salvação “em santificação do Espírito”.

Como diante de tantos obstáculos e desafios da vida; um cristão perseverará até o último dia de sua vida?

A Bíblia nos ensina que no momento de nossa justificação Deus se torna, irrevogavelmente, 100% por nós – ou seja, no momento em que vemos a Cristo como Salvador e o recebemos como o nosso Senhor. Toda a exigência da perfeita justiça de Deus foi cumprida por Cristo. No momento em que pela graça recebemos esse tesouro, dessa maneira, sua morte é considerada como a nossa morte, sua condenação a nossa condenação e a sua justiça a nossa justiça.

Portanto, em Jesus Cristo – em união com ele, pela fé somente, ao recebermos tudo que Ele é por nós - Deus–é irrevogavelmente 100% por nós.

Com essa nova vida em Cristo, a pergunta que fazemos é: Quem nos separará do amor de Cristo? (Romanos 8). A resposta bíblica é: nada! É através dessa resposta que podemos crer, que todos os que pertencem a Cristo perseverarão. Eles têm de perseverar. Isso é certo. Por quê?

Porque agora, em Cristo, Deus está 100% ao nosso lado. A perseverança não é o meio pelo qual conseguimos que Deus seja por nós. A perseverança é o resultado do fato de que Ele já é por nós. Por meio de nossas obras individuais, não podemos fazer com que Deus seja por nós. As verdadeiras boas obras cristãs são fruto do fato de que Jesus é por nós, e atua em nós.  Paulo reconheceu isso de forma muita clara: “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Coríntios 15.10).  

Que fique claro! Todo o esforço que realizamos na disciplina da perseverança é uma obra de Deus.
Que fique ainda mais claro! Não há salvação final para aqueles que não combatem o bom combate, completam a carreira, guardam a fé e amam a vida em Cristo.

Cumpra também seu chamado à perseverança.

Pr Carlos Elias de Souza Santos.


FOI-SE O MARTELO

FOI-SE O MARTELO.

A foice e o martelo são os símbolos mais utilizados para representar o movimento socialista e comunista, disseminado principalmente por personalidades como Karl Marx, Friedrich Engels e Vladimir Lênin.

O símbolo da foice e do martelo foi criado durante a Revolução Russa, em 1918, quando os trabalhadores russos, liderados por Lênin, acreditavam que só seria possível a vitória do socialismo com a união das forças entre os camponeses e os operários.

O idealizador deste símbolo foi o artista russo Evgueni Kamzolkin, em 1918, que, curiosamente, não era comunista, vinha de uma família bastante rica e era um homem muito religioso. De acordo com algumas interpretações, o símbolo da foice e do martelo teria sido baseado no símbolo da maçonaria, um cinzel e um martelo.

De forma bem específica, para a ideologia comunista, a foice seria o símbolo da força dos camponeses e o martelo dos trabalhadores industriais, assim sendo, a união da foice e do martelo representava a aliança entre os dois tipos de proletariados essenciais para que houvesse a revolução do socialismo e, consequentemente, do comunismo.

Foi-se o martelo na política...

Neste campo, claramente percebemos que se foi o martelo, e já faz tempo. Dos objetivos que se pretendia alcançar com o tal símbolo, tudo ficou muito distante. No campo a foice foi-se, por falta de reforma agrária e de incentivos para a permanência do homem no campo. Nada nos atuais modelos políticos vigentes, se parece com os tais objetivos, e nada nos partidos políticos que se identificam através desses símbolos remontam qualquer um desses valores. Essa é uma triste constatação. A “politicagem” em vigor, se especializou em manobrar as “massas”, coisa típica de governos ditatoriais: “Eu sempre achei mais fácil convencer uma grande massa do que uma só pessoa”, era o jargão frequente nos lábios do ditador Benito Mussolini (01).

Juntamente com a política brasileira também foi-se o martelo, e com ele e pelo mesmo caminho, estão indo as indústrias e os milhões de trabalhadores que voltaram para a miséria causada pelo desemprego que sangra o País. Conseguiram os atuais partidos e o atual modelo político em vigor, retirar “MILHÕES” da pobreza. Retiraram “milhões” em recursos desviados, que deveriam ser diretamente empregados no combate à fome e a miséria, e depositaram em “offshores” (empresas abertas em paraísos fiscais), no mercado da lavagem de dinheiro. Mergulhado está o nosso País numa crise econômica e muitos ainda se perguntam sobre as causas da mesma. Cada dia caímos no descrédito do mercado internacional. Tudo consequência do espírito do capitalismo e sua máxima: “honestidade é útil porque traz crédito” (02). É utilitário, mas é real.

Na busca para se defender das supostas acusações de desvio de recursos públicos, partidos políticos, sem exceção, mergulham num mar sórdido de lama e mentiras sem fim. A pior das mentiras “ é a mentira dita em causa própria” (03).

Existem certas coisas que não se pode mais aproveitar. É preciso demolir, desmontar e colocar outra nova no lugar. Na poesia de Carlos Drummond de Andrade conseguimos alcançar a abrangência dessa verdade:
“Minha mão está suja. Preciso cortá-la.
Não adianta lavar. A água está podre.
Nem ensaboar. O sabão é ruim.
A mão está suja, suja há muitos anos” (04)

No País em que vivemos, na política que toleramos e praticamos, tudo pode acontecer, pois a ética de maior aceitação, que se conhece e se pratica, como bem disse Lucio Vaz: “É a chamada ética da malandragem” (05).

Foi-se o martelo no Judiciário...

E a justiça, como está vendo tudo isso? A justiça é cega! A tal venda que tem como função básica evitar privilégios na aplicação da justiça, parece não estar bem ajustada aos olhos. Pelo menos aos olhos da “justiça” aplicada por alguns tribunais bem específicos.

É na justiça que nos acusa a “consciência” mais dolorida de que “foi-se o martelo”.  Na justiça o martelo é também chamado de malhete. Na imagem do judiciário, o martelo do juiz, todo em madeira, é, juntamente com a deusa Thêmis e a balança da justiça comutativa, um dos mais fortes e conhecidos símbolos do direito e da justiça.

A origem para seu significado é controversa, alguns autores ligam-no à mitologia grega, para a qual a figura do martelo liga-se à do deus Hefesto, divindade do fogo, dos metais e da metalurgia (???), conhecido como o ferreiro divino.

Acredita-se que a batida do martelo do juiz ao prolatar a sentença, percutindo na madeira e deslocando uma massa de ar causando ruído, represente justamente a atuação da norma no mundo real e concreto. É o abstrato, a idéia, invadindo o mundo da matéria. Quando esse martelo não percute na madeira, montanhas de “injustiça” parecem desabar sobre as nossas cabeças.

Quando bate o martelo, o juiz, ao prolatar a sentença decreta que o agente praticou ato ilícito e que houve dano, determinando assim a aplicação da norma proferindo as sentenças.  A batida do martelo, logo após a prolação da sentença, representaria, então, a transformação do mundo material (pelo deslocamento de ar e o consequente ruído) causada pela norma.

Nossa triste realidade em alguns de nossos tribunais (não todos), parece “significar” apenas o deslocamento do “ar” produzido pelo impacto do martelo e nada mais. São dias de ares bastante rarefeitos no judiciário. Foi-se o martelo. Não nos serve e nunca nos servirá de nada uma “justiça aparente”. Já dizia Juscelino Kubitschek “A democracia não vive na aparência. A prática é que lhe compõe autenticidade” (06).

Nem sempre, na política, os que empunharam o martelo foram promotores da justiça. A frase histórica que foi atribuída ao Presidente Getúlio Vargas nos dá conta de que diante das circunstâncias adversas, ele era visto com porrete na mão e dizendo: “comigo é na madeira” (07). Nos deve surpreender a todos que Getúlio Vargas inaugurou a arte de tirar as meias sem descalçar os sapatos (trecho que ficará a cargo de sua livre interpretação).

No Brasil, a política partidária que tem origem nas campanhas eleitorais, acaba por se perpetuar nas estruturas do governo empossado. Por isso não se vai a lugar nenhum. Esquerda ou direita, capitalismo ou socialismo, no Brasil não se percebe diferença alguma. Parece que cada vez mais nos identificamos com a velha anedota:

“Aqui no inferno capitalista eles esfolam você vivo, depois fervem você em óleo e depois o cortam em pedacinhos com uma faca bem afiada.
- Isso é horrível, ele respira fundo. Vou para o inferno comunista!
Ele vai lá e vê uma grande fila de pessoas esperando para entrar.
Fica na fila e, quando chega sua vez na porta do inferno comunista, encontra um velhinho que se parece um pouco com Karl Marx.
- “Ainda estou no mundo livre, Karl”, diz o homem.
- Antes de entrar, quero saber como é aí dentro.
- No inferno comunista, diz Marx com impaciência, “eles esfolam você vivo, depois fervem você em óleo e depois o cortam em pedacinhos com uma faca bem afiada”.
- Mas... mas então é igual ao inferno capitalista! Reclama o visitante.
- Por que então toda essa gente na fila?
- “Bom, suspira Marx, eles têm que ficar na fila, porque sempre “falta óleo, quase nunca temos facas e panelas, e sempre falta água quente”(08).

É comum perceber que por falta de leis mais rígidas, políticos trocam de partidos com uma facilidade que impressiona, testam todos os dias os limites de atuação da justiça com destemor impressionante. Nas palavras de Merval Rosa, o político faz isso porque: “Ele sabe dos limites que a ainda imperfeita democracia brasileira impõe, mas está sempre testando-os” (09).

Foi-se o martelo na religião...

Outro martelo simbólico surgirá quando estudarmos algumas referências que se fazem ao antigo cajado utilizado pelos sacerdotes judeus e cristãos, que, quando presidindo os cultos ou reuniões públicas, o utilizavam para chamar a atenção da assembleia. Na religião, o cajado, ou “martelo”, representa o sinal de alerta, respeito e ordem para o silêncio.

Cultivando e promovendo uma religiosidade bastante “alienada” de tudo que acontece nos bastidores da política e do judiciário, o que percebemos é que o “cajado” da religião conduz somente para o aprisco e não mais para o enfrentamento das graves questões sociais. Parece uma inversão nos anseios do cristianismo: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.15). Essa foi a oração de Jesus por seus discípulos.

A religião que deveria ter grande influência como “martelo” diante da política, parece recuar ante os desafios do momento. Temos um martelo poderoso: “Porventura a minha palavra não é como o fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a pedra? ” (Jeremias 23.29). Um grande poder que está sendo ocultado por nossa falta de ação. É assim mesmo: “ A fé sem obras é morta”.

Charles Spurgeon em seu sermão pregado na manhã de 24 de abril de 1881, no Metropolitan Tabernacle, defendeu de forma contundente a atuação da religião na política: “Eu tenho ouvido: ‘Não traga a religião para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como candelabro” (10).

Atribui-se a Martin Luther King uma frase de valor inquestionável: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” (11). A frase é perfeita! É sob o silêncio cúmplice dos decentes que alguns dos maiores crimes acabam sendo perpetrados. O martelo que não martela é cúmplice.
Cada dia a sentença parece se firmar: foi-se o martelo! Não somente um martelo, parece que muitos martelos não martelam mais.

Há esperança? “A simples lição de todas as religiões, de todas as filosofias e da própria vida é que, embora o mal possa estar temporariamente desenfreado, o bem sempre conquistará os louros da vitória final”. (Nelson Mandela). (12). Sim! Há esperança.

Eu creio! "A crença na possibilidade de mudanças e renovação talvez seja uma das características determinantes da política e das religiões" (Nelson Mandela), (12).


Para entrar e ser parte de um processo de mudança, o Brasil precisará deixar o papel de antagonista (seja da esquerda ou da direita) e como disse Fernando Henrique Cardoso: “a sociedade assumir seu papel como protagonista” (13) de todo este processo.

Se não houver mais martelos, ainda haverá a foice. Eu creio na existência real desta foice; ela será atuante e muito eficaz no final:

14 E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda.
15 E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura.
16 E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada.
17 E saiu do templo, que está no céu, outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda.
18 E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras.
19 E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. (Apocalipse 14.14-19).

Referências.

(01) MILZA, Pierre. Mussolini. Tradução Gleuber Vieira e Alessandra Bonrruquer. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.

(02) WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Tradução José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Companhia das letras, 2004. P. 45

(03) SILVA. Juremir Machado da. Jango: a vida e a morte no exílio. 5ª edição. Porto Alegre (RS): L&PM, 2014. P. 36

(04) ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova Reunião: 23 livros de poesia. 1ª Edição. São Paulo: Companhia das letras, 2015.

(05) VAZ, Lúcio. A ética da malandragem. São Paulo: Geração Editorial, 2005. P. 228

(06) COUTO, Ronaldo Costa. O Essencial de JK: Visão e grandeza, paixão e tristeza. 1ª Edição. Brasil: Planeta, 2013. P. 230.

(07) NETO, Lira. Getúlio: dos anos de formação à conquista do poder. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. P. 299.

(08) LEWIS, Ben. Foi-se o martelo: a história do comunismo contada em piadas. Trad. Márcio Luís Penteado Ferrari. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 173.

(09) PEREIRA, Merval. O Lulismo no Poder. Rio de Janeiro: Record, 2010. P.15

(10) FERREIRA, Franklin. Contra a Idolatria do Estado: o papel do cristão na política. São Paulo: Vida Nova, 2016. P. 245.

(11) KING, Martin Luther. A autobiografia de Martin Luther King. Organizador Clay-borne Carson. Tradução Carlos Alberto Medeiros – 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

(12) MANDELA, Nelson. Apontamentos para o futuro: palavras de sabedoria. Tradução Nina Bandeira. Rio de Janeiro: Rocco, 2013. P. 132

(13) CARDOSO, Fernando Henrique. A Arte da Política: a história que vivi. 8ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.P. 499

CORRUPÇÃO

A CORRUPÇÃO.




Por: Carlos Elias de Souza Santos

A natureza contraproducente das práticas aéticas se manifesta de maneiras muito diversas.
Quando me refiro a práticas aéticas, refiro-me especificamente aqui à corrupção.  Luis Carreto nos diz que “corrupção é um ato ilegal que ocorre quando uma pessoa abusa de seu poder para obter algum benefício para si, para seus familiares ou amigos. Requer participação de dois atores: um que, por sua posição de poder, possa oferecer algo valioso e outro que esteja disposto a pagar suborno para obtê-lo”. (3).

Infelizmente, a corrupção é uma prática social comum em todos os estratos socioeconômicos, na vida cotidiana e em todas as atividades econômicas, sem discriminação entre servidor público, empresário, economia informal e um cidadão comum qualquer – você e eu. E isso nos afeta a todos.

A especificidade do ato de corrupção está em que o depositário da confiança abusa, infringe ou viola (de maneira explícita ou implícita) alguma das regras do jogo pactuado com quem lhe outorgou essa confiança, e que acaba sendo fraudado.

Esse jogo pode ser um conjunto de práticas sociais ou códigos de conduta que operam como pano de fundo, sejam explícitos ou não, para atores ou para os observadores.

O termo “corrupto” pode ser aplicado ao depositário da confiança e ao que instiga ou aceita a fraude, mas não a quem é defraudado, a quem outorgou a confiança e, vendo-a depositada erroneamente, sofre abuso.

Não obstante, a corrupção rompe o tecido social, pois diminui a confiança dos cidadãos nas instituições, no governo e em si mesmos. Além disso, afeta o nível ético da sociedade em seu conjunto. À medida que a corrupção se generaliza, os escrúpulos éticos vão rareando.

Definitivamente a corrupção tem má fama. Quando se descobre um político, um sindicalista ou um empresário corrupto, todos pedimos a mesma coisa: “demissão, rua, cadeia”. Mas a corrupção é um claro sintoma de que alguma coisa funciona mal. A corrupção é por equivalência como a “infecção” no corpo humano.

Quando se deu a queda do comunismo, muita gente atribuiu à corrupção: o “poder” havia corrompido os camaradas. Até na China, onde a corrupção é castigada com pena de morte, registram-se graves casos de corrupção.

Seria a corrupção uma enfermidade de determinados regimes políticos? Não totalmente.

A corrupção instalada no estado, por exemplo, é um sintoma que nos indica que existem um excesso de leis inúteis que comprometem o bom funcionamento dos assuntos econômicos. Numa sociedade regulada por um grande excesso de leis inúteis, gastamos tempo demais em tarefas e processos inúteis, aumentamos os custos, e quem lucra e se torna o grande beneficiário disso tudo é o legislador e o funcionário. Caso bem tipificado no Brasil.

É assim que a corrupção alcança pessoas e empresas. Elas se iniciam no mundo da corrupção quando precisam “burlar este excesso de leis” falseando sistematicamente sua contabilidade, na tentativa de pagar menos impostos em face da alta carga tributária e assim por diante.

Percebemos diante dos fatos, que a corrupção é facilmente aprendida, e amplamente aceita, conquanto decidimos fechar os nossos olhos para o grau de dificuldade presente em nosso sistema governamental extremamente burocrático e vorazmente tributário.

A infraestrutura que sustenta a corrupção é a burocracia. Burocracia que facilmente promove a impunidade e a protege. “A burocracia tanto pressupõe a existência de informações – o suprimento indispensável para a usina do administrador – quanto viabiliza a criação de mais informações” (1).
Em se tratando de corrupção, a orientação para não se fazer escola nesse “mercado negro”, é procurar se associar as pessoas de caráter admirável e de sabedoria comprovada evitando as más companhias. Este é um bom conselho. “O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio”. (Provérbios de Salomão 12.15).

Hesíodo acreditava que: “O homem virtuoso é aquele que pensa por si mesmo, refletindo sobre o que será melhor mais adiante no final. Também é bom o homem que atende aos conselhos dos homens sábios. Porém, quem não pensa por si mesmo, nem retém em si os bons conselhos, esse é um homem inútil” (4).

Outra forma de procurar fugir das garras da corrupção é prestar bastante atenção aos detalhes. – Essa é uma prática muito boa. Um pequeno detalhe pode não ter importância, mas a soma de muitos pode. Preste bem atenção: “...Todo o aumento de regulamentação governamental sobre a vida implica uma remoção de certa medida da liberdade humana. Quando pequenas perdas de liberdade ocorrem repetidamente ao longo de anos, pode acontecer de as pessoas se tornarem escravas do governo sem perceber” (6)

O senso comum parece acreditar e difundir, que a corrupção é causada pelo governo e que basicamente será resolvida através do governo. Sugiro analisarmos essa crença popular considerando basicamente três tipos de governo:

- O governo de si mesmo, que diz respeito à moral;
- A arte de governar adequadamente uma família, que diz respeito a economia;
- A ciência de bem governar o Estado, que diz respeito a política.

Essas artes de governar postulam uma continuidade essencial entre elas, e aqui se estabelece uma continuidade ascendente e descendente (2).  

A continuidade ascendente ocorre no sentido de que, aquele que deseja “Governar o Estado”, deve primeiro saber se governar, governar sua família, seus bens, seu patrimônio.

A continuidade descendente ocorre no sentido de que, quando o Estado é bem governado, os pais de família sabem como governar suas famílias, seus bens, seu patrimônio e por sua vez os indivíduos se comportam como devem.

São essas linhas ascendentes e descentes que se repercutem na conduta dos indivíduos e na conduta do Estado enquanto Governo.

Se você deseja ver modificado o atual quadro de corrupção, então será preciso investir primeiro no “governo de si mesmo”, no governo que diz respeito à sua moral.

Dietrich Bonhoeffer, ao tratar do tema moral nos diz que:  “Não há dúvida de que ocorrem situações e épocas em que a moralidade não é algo natural, seja porque não é praticada, seja porque se tornou questionável em seu conteúdo. É nesses tempos que o ético se constitui em tema. Por um lado, isso provoca uma refrescante simplificação dos problemas da vida, uma redução a linhas mestras, uma obrigação de adotar claras posturas e decisões de foro íntimo” (5).

Na arte de governar adequadamente uma família, -que diz respeito a economia, Confúcio dizia o seguinte: “Pratique a fraternidade com a família e o altruísmo com as pessoas e você estará contribuindo para o governo’. Isso também é contribuir com a sociedade, não é preciso estar no governo” (7).

Na ciência de bem governar o Estado, que diz respeito a política, lembre-se do que disse Confúcio: “Para governar um Estado, seja digno e honesto nos negócios, seja moderado nos gastos, ame a todos e só convoque o povo se for necessário” (7). 

Não é nada fácil governar, quanto mais governar bem, quando o alvo é o Estado Replubicano. Especialmente uma República com tão graves problemas históricos como a nossa: “Como é possível fazer uma república de um país vastíssimo, desconhecido ainda em grande parte, cheio de florestas, infinitas, sem população livre, sem civilização, sem artes, sem estradas, sem relações mutuamente necessárias, com interesses opostos e com multidão...sem costumes, sem educação, nem civil nem religiosa e hábitos antissociais” (12).

 Um caminho estreito e longo a ser percorrido no combate a corrupção passa pelos trilhos da Educação. É preciso despertar cada ser humano e torna-lo num cidadão capaz de expressar toda a sua dignidade humana. Nas palavras do Rabino Nilton Bonder: “Entre uma moral e outra o ser humano volta a se despir e, desperto, se recorda de sua alma. A esse despertar se referia o maguid de Mezeridz: “Um cavalo que se sabe cavalo não o é. Este é o árduo trabalho do ser humano: aprender que não é um cavalo” (15). Essa é uma árdua tarefa.

Um povo sem educação é certamente um povo com pouca ou nenhuma noção.  Dr. Wayne Grudem diz o seguinte: "Infelizmente, a noção de que governantes podem simplesmente "apropriar-se" de dinheiro do tesouro público em benefício próprio e de seus amigos é um valor cultural profundamente arraigado em algumas sociedades pobres. O que chamamos de "corrupção" é amplamente aceito apenas como "a forma de o governo funcionar". (16).

 Muitos acreditam que a corrupção é um problema meramente político, quando certamente não é. Albert Einstein afirma que: “Se considerarmos as condições de vida da humanidade civilizada atual, mesmo sob a perspectiva dos preceitos religiosos mais elementares, não podemos deixar de sentir uma profunda e dolorosa desilusão perante aquilo que vemos. Pois, enquanto a religião prescreve o amor fraterno nas relações entre grupos ou indivíduos, o panorama atual assemelha-se mais a um campo de batalha do que a uma orquestra. O princípio orientador é, em toda a parte, tanto na vida econômica como na política, a luta implacável pelo êxito à custa do próximo. Este espírito competitivo prevalece mesmo nas escolas e, ao destruir todos os sentimentos de cooperação e fraternidade, concebe o triunfo não como derivado do amor ao trabalho sério e produtivo, mas como algo que nasce da ambição pessoal e do medo da rejeição” (8).

Ambrósio de Milão afirmou que o criador, o nosso “Deus ordenou que todas as coisas fossem produzidas, de modo que houvesse comida em comum para todos e a terra fosse a herança comum de todos. Por isso, a natureza produziu um direito comum a todos, mas a avareza fez disso um direito de alguns poucos”. No combate a corrupção precisamos exterminar a avareza e colocar no lugar um pouco mais de coração. Esse é o poderoso e eficaz ensino contido na imortal frase da Raposa, personagem do Pequeno Príncipe: “Só enxergamos com o coração”. “O essencial é invisível para os olhos” (9).  

Em tempos de acentuados níveis de corrupção, grande parte da população parece acreditar que a solução virá através do poderoso “martelo” da justiça. Acredito muito na justiça divina: “E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia”. (Salmos 37.6).

Preocupo-me muito com a Justiça dos homens. Preococupado com nosso conceito de justiça, faço menção aqui de Blaise Pascal (1623-1662), um dos nossos maiores pensadores, ao filosofar sobre a justiça afirmava que: “É justo que o que é justo seja seguido. É necessário que o que é mais forte seja seguido. A Justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. A justiça sem força é contradita, porque há sempre maus; a força sem a justiça é acusada. É preciso, pois, reunir a justiça e a força; e, dessa forma, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo. A justiça é sujeita a disputas: a força é muito reconhecível, e sem disputa. Assim, não pôde dar a força à justiça, porque a força contradisse a justiça e disse que ela era injusta, dizendo que ela é que era justa; e, assim, não podendo fazer com que o que é justo fosse forte, fez-se com que o que é forte fosse justo” (10). Certamente temos aqui neste texto um ótimo exemplo da “balança” equilibrada da Justiça.

Não se deixe enganar. Há muitos que sobre este assunto se enganam: “E ele se engana fortemente, se acredita que a autoridade é mais forte e mais firme quando repousa sobre a força do que se estabelecida sobre a afeição”. (Terêncio, Adelfos, I, I, 40).

Em tempos de grande crise política, onde estão cada vez mais evidentes as vísceras da corrupção, a população pode e deve apoiar-se nas Escrituras Sagradas: “Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore... (Tiago 5:13). Lembre-se do que disse John Knox: “Problemas e dificuldades são as esporas à oração, pois, quando o homem, cercado de todos os lados por veementes calamidades, aborrecido por solicitudes contínuas (não tendo, no ser humano, esperança de livramento, estando com o coração oprimido e magoado, temendo ainda maior castigo a seguir) clama das profundezas da tribulação, a Deus, pedindo consolo e sustento, tal oração ascende à presença de Deus e não voltará vazia” (11).  Reconhecemos que “As tentações e tribulações provam o homem e mostram quanto ele progrediu. Sua recompensa assim é maior, e as virtudes recebidas se revelam plenamente.  Não é também grande coisa ser o homem devoto e fervoroso em momentos de tranquilidade. Se, contudo, em tempos de adversidade ele se portar com paciência, então há esperança de grande progresso na graça” (14).

Nosso desejo nestes dias é: “Que a falsidade, a ambição e o ódio sejam destruídos na noite da Razão, até que a fraqueza se transforme em poder, até que a escuridão se transforme em luz e tudo o que está errado fique certo! (Bruno –  no conto Sylvie e Bruno) (13).

Se este texto fosse um discurso, o que não é, eu o terminaria como o grande estadista, que ao encerrar sua fala disse: “- Que esta nação, com a graça de Deus, renasça em liberdade – e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da terra”.  Esse foi o desejo de Abraham Lincoln, por ocasião de seu discurso de Gettysburg – em 19 de novembro de 1863. 

Gostaria que cada brasileiro desejasse o mesmo nestes dias tão difíceis.

REFERÊNCIAS:

(1)    VAN CREVELD, Martin. Ascensão e declínio do Estado. Tradução Jussara Simões. São Paulo: Martins Fontes, 2004. P.201
(2)    FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Organização, introdução e revisão Técnica de Roberto Machado. 3ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.P. 412
(3)    CLAVO, Luis Carreto. Aristóteles para executivos: como a filosofia ajuda na gestão empresarial. Tradução Luis Reyes Gil. São Paulo: Globo, 2008.
(4)    Hesíodo. Teogonia: Trabalhos e Dias. São Paulo: Martin Claret, 2010. Pg.76.
(5)    BONHOEFFER, Dietrich. Ética. 10ª Ed. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2009. Pg. 169.
(6)    GRUDEM.  Wayne. Política `Segundo a Bíblia. Princípios que todo o cristão deve conhecer. Tradução de Susana Klassen. São Paulo: Vida Nova, 2014. P. 134.
(7)    CONFÚCIO. As lições do mestre. Tradução André Bueno. 1ª Edição. São Paulo: Jardim dos Livros, 2013.
(8)    EINSTEIN, Albert. Como Vejo a Ciência, a Religião e o Mundo. Tradução José Miguel Silva e Ruth San Payo Araújo. Lisboa – Portugal: Relógio D´Água Editores, 2005. Pg. 282.
(9)    SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução André Telles, Rodrigo Lacerda. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.Pg. 94
(10)  PASCAL. Blaise. PENSAMENTOS. Trad. Paulo M. Oliveira. Bauru-SP: Edipro, 1995.Pg. 203. Artigo XXIV – Da Justiça.
(11)  KNOX, John. A Treatise on Prayer, or, a Confession and Declaration of Prayers, Citado em Selected Writings of Joh Knox: Public Epistles treatises and Expositions to the Year 1559 (Dallas: Presbyterian heritage Publications, 1995). Pg. 6.
(12)  Do panfleto de José Antônio Miranda, Publicado no Rio de janeiro em 1821. (Citado em Laurentino Gomes. 1822. 2ª Edição. São Paulo: Globo, 2015. P. 64).
(13)  CARROL, Lewis. (Charles Lutwidge Dodgson) Obras Escolhidas: Sylvie e Bruno. Tradução Maria de Lourdes Guimarães. Lisboa: Relógio de água editores, 2014. Pg. 330
(14)  KEMPIS. Tomás de. IMITAÇÃO DE CRISTO. Livro 1 - Conselhos úteis para a vida Espiritual. Clássicos da Literatura Cristã. Trad. Almiro Pisetta, Antivan Guimarães. 1 Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015. Págs. 409-410.
(15) BONDER, Nilton. A Alma Imoral. Traição e Tradição através dos tempos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Págs 65-66.
(16)  GRUDEM, Wayne. A Pobreza das Nações. Uma Solução sustentável. Trad. Lucas G. Freire. São Paulo: Vida Nova, 2016.Págs. 237-38