A EDUCAÇÃO CRISTÃ E O ENSINO DE CRISTO

A EDUCAÇÃO CRISTÃ E O ENSINO DE CRISTO.

O ensino é o pulmão de uma igreja. Em Provérbios 19.8 lemos que: “aquele que adquire sabedoria ama a sua alma; aquele que abraça o entendimento prospera”.

No livro do profeta Oséias capítulo 4 versículo 6 lemos: “meu povo é destruído por falta de conhecimento”.

A qualidade no ensino da palavra é essencial para a formação de discípulos de Cristo. O cristão adquire conhecimento e valoriza os ensinamentos contidos na palavra.

“Compre a verdade e não a venda; adquira sabedoria, disciplina, e entendimento” (Provérbios 23.23).

Jesus dedicou à maior parte do tempo do seu ministério terreno para o ensino. Jesus foi o Mestre dos mestres no ensino. Jesus é o exemplo para todos os que desejam esse ministério tão importante ainda para os dias de hoje.

I. O ENSINO NAS ESCRITURAS

Segundo o dicionário português Aurélio, ensino significa: transmissão de conhecimentos, informações ou esclarecimento úteis ou indispensáveis à educação.

O que é ensinar? Segundo o pastor e teólogo Myer Pearlman, ensinar “é despertar a mente do aluno para captar e reter a verdade”.

A educação e o ensino sempre foram prioridades entre os judeus. A Bíblia está repleta de referências ao ensino e aos mestres.

O ministério de ensino ocupa espaço relevante no cristianismo e aparece na lista dos dons da graça de Deus: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).

O ensino no sentido bíblico, será bem definido pelos termos hebraicos utilizados pelos escritores sagrados. Encontramos no hebraico bíblico os seguintes termos:

Zãhar, que significa: ensinar, avisar, advertir, admoestar. O termo é usado quando Jetro, sogro de Moisés, aconselha o genro a ensinar as leis ao povo (Ex 18.20). O sentido mais frequente é avisar.

Lãmad, que é usado tanto para aprender, como para ensinar. O sentido principal desse verbo encontra-se ilustrado em Salmos 119. Aí se repete a palavra no refrão “ensina-me os teus preceitos” ou “teus decretos” ou “teus mandamentos” ou “teus juízos” (vv. 12, 26, 64, 66, 68, 108, 124, 135, 171).

Limmûd, discípulo, aquele que é ensinado. Aqueles que em Isaias 8.16, são ensinados, são discípulos do Senhor que conhecem a sua lei.

Talmîd, estudante discípulo. Só uma passagem é encontrada no AT, 1 Cr 25.8, emprega esta palavra. Na época dos rabinos o mestre da lei era chamado de rabino “talmîd”, e seus alunos eram conhecidos como “talmîdîm”, isto é, aprendizes.

No Novo Testamento encontramos os seguintes termos gregos:

Didasko, o significado deste verbo é: “ensinar, dar instrução, pessoas ensinadas, coisas ensinadas”, (Mt 4.23; 5.2; 7.29; 9.35; 15.9; 22.16;At 15.35; 18.11; Jo 14.26; Rm 12.7; 1Co 4.17; 1Tm 2.12; 4.11; Ap 2.14,20).

Paideuõ, instruir e treinar.

Katecheõ, Informar, instruir.

Heterodidaskaleõ, ensinar doutrina diferente (1Tm1.3; 6.3.

Didaktikos, classificado no ensino, apto para ensinar (1Tm 3.2; 2Tm 2.24.

Sempre pesou sobre o povo de Deus a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus.

Vejamos como se desenvolveu a instrução religiosa nos tempos bíblicos:

1. Nos dias de Moisés: Examinando o Pentateuco, vemos que no princípio, entre o povo de Deus, eram os próprios pais os responsáveis pelo ensino da revelação divina no lar. O lar, então, era de fato uma escola onde os filhos aprendiam a temer e amar a Deus (Dt 6.5-9; 11.18,19).

2. Na época dos Reis e Sacerdotes: Os sacerdotes eram mediadores entre Deus e o homem. Além do culto divino, eles tinham o encargo do ensino da Lei (Dt 24.8; I Sm 12.23; II Cr 15.3; Jr 18.18). Já os reis de Israel, quando piedosos e tementes à Deus, tinham a preocupação com a leitura e o ensino da Palavra de Deus para a nação (II Cr 17.7-9).

3. Durante o Cativeiro Babilônico: Nessa época, os judeus no exílio, privados do seu grandioso templo em Jerusalém, instituíram as sinagogas, que eram usadas como escola bíblica, casa de cultos e escola pública.

4. No pós-cativeiro: Nos dias de Esdras e Neemias, quando o povo retornou do cativeiro, houve um grande avivamento espiritual, originado pela leitura e ensino das Escrituras, como podemos observar nos capítulos 8 e 9 do livro de Neemias.

5. Durante o Ministério de Jesus: Jesus exerceu um tríplice ministério de cura, pregação e ensino da palavra de Deus (Mt 4.23; 9.35; Lc 20.1). Esse mesmo ministério tríplice foi ordenado e confiado à igreja (Mt 28.19; Mc 16.15-18).

6. Nos dias da Igreja: Após a ascensão do Senhor, os apóstolos e discípulos continuaram a ensinar. A igreja dos dias primitivos dava muita importância a esse ministério (At 5.41,42). Paulo e Barnabé, por exemplo, passaram um ano todo ensinando na igreja de Antioquia (At 11.26). Em Éfeso, Paulo ficou três anos ensinando (At 20.20,31) e em Corinto, ficou um ano e seis meses (At 18.11). Seus últimos dias em Roma foram ocupados com o ensino da Palavra de Deus (At 28.31).

II. JESUS, O MESTRE DOS MESTRES

“E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas”. (Mateus 7.28,29).

O povo de Israel era acostumado a ouvir e aprender com bons mestres, e o povo de uma forma geral tinha por hábito estudar as leis. Quando o povo ouvia Jesus falar se admiravam da sua doutrina, e da autoridade com que ensinava, a ponto de concluírem:

 “…nunca homem algum falou assim como esse homem” (Jo 7.46).

O ensino de Jesus sobressaia em sabedoria e graça diante do ensino comum entre os Judeus. Por isso também Jesus foi odiado pelos mestres da época; pois onde quer que ele estivesse ensinando, as pessoas se reuniam para ouvi-lo. Nos ensinos de Jesus tanto havia profundidade, como as suas palavras eram vivas. Percebia-se no momento a ação da palavra com sinais e milagres que aconteciam entre o povo.

Uma das maiores declarações acerca de Cristo foi feita por Nicodemos. Ele disse a Jesus: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” (Jo 3.2). Das 90 vezes que alguém se dirigiu à Cristo nos Evangelhos, 60 vezes Ele é chamado de Mestre. Grande parte do ministério de nosso Senhor Jesus foi ocupado com o ensino (Mt 4.23; 9.35; Lc 20.1).

Jesus foi reconhecido como Mestre:

Nas sinagogas (Mt 9.35; 13.54; Mc 1.21);

Em casas particulares (Mt 9. 1-8)

No templo (Mt 21.23; Mc 11.17; 12.35);

Nas aldeias (Mc 6.6; Lc 13.22)

Nas cidades (Mt 11.1);

Pelas multidões (Mt 5.2; Mc 2.13; 4.1; 6.34)

Individualmente (João 3 e 4)

III. A PRÁTICA DO ENSINO DE JESUS

Jesus usou muitos métodos de ensino. Ele ensinava por parábolas, usando comparações para que o povo entendesse o sentido do ensino. Ensinava com simplicidade, a ponto de os símplices entenderem, e os sábios ignorarem. Ele também usava os recursos da época como: barco, montanha, sinagoga, templo etc.

Os métodos de ensino de Jesus Cristo variavam de acordo com a ocasião e a necessidade dos ouvintes. No entanto, podemos observar que:

1. Ele ensinou utilizando a linguagem do povo: Ele ensinou, principalmente, através de parábolas, utilizando a linguagem do povo. Seus ensinos eram repletos de ilustrações e exemplos do dia-a-dia, tais como: pesca, rede, peixe; árvore, fruto, solo, semente, etc. Para descrever, por exemplo, o amor de Deus pelos pecadores, ele falou sobre o pastor que saiu em busca de uma ovelha desgarrada e de um pai que esperava ansioso, o retorno de um filho que estava perdido (Lc 15.1-7, 11-24)

2. Ele ensinou alcançando o coração dos ouvintes: Os ensinos de Jesus não alcançavam só o intelecto dos ouvintes, mas, principalmente o coração. Eles eram ministrados no poder do Espírito Santo, qual resplendor de luz a dissipar lhes as trevas das dúvidas, implantando no seu coração profunda convicção da verdade. Um dos discípulos que o ouviram no caminho de Emaús, disse:  Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? (Lc 24.32)

APRESENTOU-NOS JESUS DUAS FRENTES PARA SEU ENSINO.

O ensino na pregação do Evangelho. O ensino bíblico acompanha a pregação do Evangelho. Na passagem bíblica da “Grande Comissão” (Mt 28.19,20), são usados dois verbos para “ensinar”.

“Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.  (Mateus 28:19-20).

i-    O primeiro é “ensinai todas as nações”, “fazer discípulos”, pois o discipulado acompanha, necessariamente, a evangelização.

Todos os verbos estão no gerúndio, mas FAZER DISCÍPULOS é uma ordem.

a) Jesus não mandou fazer fãs – quem precisa de fãs são os artistas.

b) Jesus não mandou fazer admiradores – Atores e jogadores de futebol é que buscam admiradores.

c) Jesus não mandou apenas evangelizar e ganhar almas, abandonando os bebês espirituais – Ele quer discípulos.

d) Jesus não mandou apenas recrutar crentes e encher as igrejas de pessoas – Ele quer convertidos maduros.

Um discípulo é um seguidor. Isso implica:

1) Fazer do Reino de Deus seu tesouro;

2) Renunciar tudo por amor a Jesus;

3) Isso significa guardar as palavras de Jesus.

Hoje temos muita adesão e pouca conversão. Temos grande ajuntamentos e pouco quebrantamento. Temos igrejas cheias de pessoas vazias de Deus e vazias de pessoas cheias de Deus. Temos grandes multidões de buscam as bênçãos, mas não a Deus. São religiosos, mas não discípulos de Cristo.

ii-    O segundo, “ensinado-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”, inclui ética e teologia. O Senhor Jesus ensinou, nesse sentido, durante todo o seu ministério.

a) Ensinar o que Jesus mandou (v. 19) – Não se trata de ensinar “achiologia”, modismos, tradições humanas, legalismo. Paulo diz que devemos anunciar todo o desígnio de Deus.

b) Ensinar todas as coisas (v. 19) – Não apenas as mais agradáveis. Devemos ensinar toda a verdade, toda a Palavra, dar não apenas o leite, mas também o alimento sólido.

c) Ensinar a guardar – Ensinar não é apenas guardar na cabeça, mas obedecer. O discípulo é aquele que obedece. Hoje, as pessoas querem conhecer, mas não querem obedecer. “Vós sois meus discípulos se fazeis o que eu vos mando”.

Conclusão

“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 4.23).

Depois da ascensão de Jesus, os apóstolos deram continuidade ao seu ministério de ensino (At 18.11; 20.31). Deus ainda hoje tem concedido a muitos em sua Igreja o dom de ensinar, a fim de que o Corpo de Cristo seja aperfeiçoado e edificado (Ef 4.12).

“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado”.  (Efésios 4.11-12).

É aqui que se define a grande motivação para a aceitação do tão grande e desafiador Ministério de Educação Cristã: preparar os santos para a obra do ministério. Que Deus nos capacite. Que nossos mestres aceitem tão nobre e abençoada missão.

Pr Carlos Elias de Souza Santos



Referências Bibliográficas.

BIBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução: João Ferreira de Almeida.  Ed. rev. e Corrigida.  São Paulo: Geográfica Editora, 2013.
FERREIRA, A. B. H. Aurélio século XXI: o dicionário da Língua Portuguesa. 3. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
PEARLMAN, Myer. Ensinando com Êxito na Escola Dominical. São Paulo: Editora vida, 1995. 145p.
RICHARDS, Lawrence. Teologia da educação cristã. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 1983. 272p.
HAYWARD, Armstrong. Bases da Educação Cristã. Trad. de Merval de Souza Rosa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1994. 176p.

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