AMIZADE E AMIGOS DE VERDADE


A lealdade é parte de uma amizade genuína. A Bíblia diz em Provérbios 17:17 “O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.”

O melhor amigo que podemos ter é Jesus. A Bíblia diz em João 15:15 “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.”

Que características necessitamos para ser um bom amigo? A Bíblia diz em Filipenses 2:3-4 “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” Bisbilhotice pode destruir amizades. A Bíblia diz em Provérbios 16:28 “O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos.”

Vale a pena manter os nossos amigos. A Bíblia diz em Provérbios 27:9-10 “O óleo e o perfume alegram o coração; assim é o doce conselho do homem para o seu amigo. Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai; nem entres na casa de teu irmão no dia de tua adversidade. Mais vale um vizinho que está perto do que um irmão que está longe.”  Um amigo se preocupa conosco de tal forma que tem que ser honesto conosco mesmo que nos ofenda.

A Bíblia diz em Provérbios 27:6 “Fiéis são as feridas d'um amigo; mas os beijos d'um inimigo são enganosos.”

“O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.” Uma grande dificuldade encontrada é que apesar de amarmos nossos irmãos, nem todos são nossos amigos. Quantas vezes você tem chamado de irmãos aqueles que não o são? O que esse texto de Provérbios está dizendo é que um irmão não é apenas aquele que nasce da mesma mãe, que faz parte da mesma família. Não é apenas o irmão biológico. Um irmão pode ser aquele que entra em sua história e se torna irmão em um momento de dor, de angústia e desespero.

"O amigo ama em todo o tempo." Amar o amigo é estar presente, é estar junto tanto nos momentos de alegria quanto nos de angústia. É abraçá-lo em seu aniversário, mas também saber confortá-lo pela perda de um ente querido. É estar disposto a caminhar com ele quando aparentemente parece que não há caminho a seguir; quando ele está em pecado e está lá embaixo, no abismo. É nesta hora que ele mais precisa de um verdadeiro irmão.

Na vitória é muito fácil se fazer amigos. Quando tudo vai bem, é muito fácil fazer amigos. Mas quando se está lá embaixo, quando a angústia chega, quem se revela como verdadeiro irmão? Quando o marido foi embora, quando a esposa traiu, ou o desemprego bateu à porta ou a enfermidade chegou sem avisar, quem se dispõe a caminhar junto como um irmão de verdade? É nesses momentos que o amigo deve chegar e se mostrar como irmão. "O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão." (Provérbios 18.24.)

Jesus. Ele é o nosso maior amigo, mais chegado, mais íntimo que todo bom irmão que possamos ter aqui nesta terra. Ele deu a sua vida por amor a nós sem que o merecêssemos. E nós devemos nos espelhar no Senhor Jesus para que sejamos esse amigo mais chegado que um irmão.

Você precisa ter amigos, mas para isso é essencial que você também seja amigo. "Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade. Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe." (Provérbios 27.10.) Além dos amigos que fazemos, recebemos amigos de herança dos nossos pais, e a Palavra nos diz para não os abandonarmos. E ainda diz mais, que o vizinho perto é muito mais precioso do que o irmão longe. E se quisermos ter amigos, temos de fazer a nossa parte, sendo amigo, próximo, irmão, amigo mais chegado que um irmão, assim como Jesus.

A Palavra também diz para não abandonarmos o amigo de nosso pai. Talvez seu pai já tenha morrido, mas os amigos dele ainda estão vivos e de vez em quando ligam para você, ou você os encontra. O problema é que, muitas vezes, você não quer nada com os amigos do seu pai. Mas não os esqueça, não os abandone, conserve os vínculos, pois isso é bom, porque é assim nos orienta a Palavra de Deus.

Não sei se você já ouviu a história de Horace Greeley, o famoso editor do jornal New York Tribune. Ele  era conhecido por ter uma grafia quase ilegível. Frequentemente, nem mesmo ele conseguia ler o que escrevera, especialmente quando algum tempo se passara entre a escrita e a tentativa da leitura.

Num determinado dia, Greeley escreveu um editorial minutos antes do jornal começar a ser impresso. Por falta de tempo para que o texto fosse corrigido, o manuscrito foi direto para a sala de composição tipográfica. Ali, o digitador fez o máximo, tentando interpretar os garranchos do autor.

Como era de se esperar, ao Greeley ler o jornal, ficou furioso. Chamou o digitador em sua sala e o mandou embora do emprego, não sem antes escrever-lhe um bilhete muito desaforado e grosseiro, denunciando sua incompetência em decifrar sua grafia.

Quando o digitador foi em busca de um novo emprego, procurou logo o jornal concorrente. Na entrevista com o diretor do diário, esse lhe perguntou se tinha alguma carta de recomendação do seu antigo patrão. “Sim, claro que tenho. Aqui está uma carta do Sr. Greeley”, acrescentou o pretendente, apresentando o bilhete onde era tratado com toda sorte de palavras.

Como o bilhete era praticamente indecifrável, o diretor do jornal disse: “Ótimas recomendações... Pelo que percebo, vocês eram grandes amigos. Assim, vou te dar um aumento de 150 dólares e você começa amanhã cedo”.

Você tem amigos? Certamente que sim. Temos amigos que conhecemos e temos amigos desconhecidos. Temos amigos e a-m-i-g-o-s. Você considera Deus como seu amigo? Por nossas faltas, deslizes e traições (pecados), às vezes nos esquecemos que nosso maior amigo é o Criador. A experiência de Abraão nos ajuda... Mesmo pecador, ele aceitou a providência do perdão divino e por isso “foi chamado de amigo de Deus” (Tia. 2:23). Amigos de verdade perdoam... Deus é amigo de verdade e para sempre!

Uma das maiores demonstrações do amor verdadeiro entre seres humanos foi o que aconteceu entre Davi e Jônatas.

Nos diz a Bíblia que Jônatas, que era filho do rei Saul, portanto seu herdeiro, ao conhecer Davi fez uma aliança com ele.

“E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.

E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto.” (1 Sm 18:1-3) E selaram essa grande amizade com um pacto, quando Davi era perseguido pelo pai de Jônatas: “Então fugiu Davi de Naiote, em Ramá; e veio, e disse a Jônatas: Que fiz eu? Qual é o meu crime? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?(…) Então disse Jônatas a Davi: Vem e saiamos ao campo. E saíram ambos ao campo.
E disse Jônatas a Davi: O SENHOR Deus de Israel seja testemunha! Sondando eu a meu pai amanhã a estas horas, ou depois de amanhã, e eis que se houver coisa favorável para Davi, e eu então não enviar a ti, e não to fizer saber; O SENHOR faça assim com Jônatas outro tanto; que se aprouver a meu pai fazer-te mal, também to farei saber, e te deixarei partir, e irás em paz; e o SENHOR seja contigo, assim como foi com meu pai. E, se eu então ainda viver, porventura não usarás comigo da beneficência do SENHOR, para que não morra? Nem tampouco cortarás da minha casa a tua beneficência eternamente; nem ainda quando o SENHOR desarraigar da terra a cada um dos inimigos de Davi. Assim fez Jônatas aliança com a casa de Davi, dizendo: O SENHOR o requeira da mão dos inimigos de Davi. E Jônatas fez jurar a Davi de novo, porquanto o amava; porque o amava com todo o amor da sua alma.” (1 Sm 20:1, 11-17)
Essa amizade entre eles era tão forte que Jônatas quase foi morto pelo seu próprio pai Saul, que odiava a Davi e temia que o filho perdesse o futuro trono de Israel para o mesmo:
“Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer. Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que há de ele morrer? Que fez ele? Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir; com isso entendeu Jônatas que, de fato, seu pai já determinara matar a Davi.” (1 Samuel 20:31-33)
No final do livro de 1 Samuel há o relato da morte de Saul, de Jônatas e seus irmãos.

A história segue em 2 Samuel e logo no primeiro capítulo, vemos um fato que dimensiona o tamanho da grande amizade entre Davi e Jônatas.

Ao receber a notícia da morte deles, vejam como reage Davi:
“Saul e Jônatas, tão queridos e amáveis na sua vida, também na sua morte não se separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões. Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia deliciosamente de escarlata, que vos punha sobre os vestidos adornos de ouro. Como caíram os valorosos no meio da peleja! Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito querido me eras! Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres. Como caíram os valorosos, e pereceram as armas de guerra!” (2 Sm 1:23-27)
E no capítulo 9, temos o desfecho incrível para marcar a amizade verdadeira do agora rei Davi e do seu amigo Jônatas.

Pois o rei procura se existe alguém da família de Jônatas que fosse vivo para que o pacto feito no passado fosse cumprido.
“Disse Davi: Resta ainda alguém da casa de Saul, para que eu use de benevolência para com ele por amor de Jônatas? E havia um servo da casa de Saul, cujo nome era Ziba; e o chamaram à presença de Davi. perguntou-lhe o rei: Tu és Ziba? Respondeu ele: Teu servo! Prosseguiu o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu possa usar com ele da benevolência de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado dos pés. E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e, prostrando-se com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi: Mefibosete! Respondeu ele: Eis aqui teu servo. Então lhe disse Davi: Não temas, porque de certo usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai; e tu sempre comerás à minha mesa.” (2 SM 9:1-3,6,7)
E assim o rei Davi cumpriu o que tinha prometido ao seu amigo mesmo depois da morte do mesmo. Os laços de irmandade vistos nessa história deixam um grande exemplo para a Igreja de Cristo. Por mais que vivamos em um mundo onde a indiferença, falsidade, egoísmo e a inveja têm destruído as relações, a Igreja tem que fazer diferença.

Pois o amor entre os irmãos é o distintivo de uma vida transformada pelo poder de Deus.
“Quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros”. (1 Ts 4.9)
Tomar o exemplo dessa incrível amizade entre o rei Davi e Jônatas para a Igreja hoje pode parecer utópico, mas se servimos ao mesmo Deus, podemos pedir para que Ele forje em nós um coração sincero e amável para com os nossos irmãos em Cristo.

E assim cumpriremos o que o Mestre recomendou aos discípulos:

“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.”(Jo 13:34,35)
Que o Senhor nos ajude a gerar sentimentos verdadeiros como os que o rei Davi tinha em relação a Jônatas, para assim vivermos a verdadeira comunhão de Cristo.

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